O Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, autorizou, através do Despacho n.º 96/26, de 20 de Março de 2026, a celebração de um acordo de financiamento entre o Ministério das Finanças e o Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), no valor global de 334 milhões de dólares.
A operação enquadrada no apoio do Banco Mundial, visa reforçar a infraestrutura de transporte de energia eléctrica no Sul de Angola, com foco na ligação entre as províncias da Huíla e do Cunene.
O projecto tem como objectivo aumentar a capacidade de transporte de energia no Sul, reduzir perdas técnicas na rede, melhorar a estabilidade do fornecimento eléctrico e apoiar a integração de novas fontes de produção, incluindo energias renováveis.
Segundo análises publicadas na imprensa económica nacional, o Sul de Angola continua a apresentar défices estruturais no acesso à energia, com taxas de electrificação inferiores à média nacional, estimada em cerca de 45% a 50%.
Este acordo não surge isolado. Nos últimos 27 meses, Angola tem intensificado a captação de financiamento externo para o sector energético, com destaque para o acordo com o Japão em 2024, com um financiamento de 39,1 mil milhões de ienes, equivalentes a cerca de 246,2 milhões USD pelo Japan International Cooperation Agency (JICA).
O novo financiamento representa um aumento de cerca de 35,6% face ao acordo anterior e as províncias da Huíla e Cunene tornam-se um eixo prioritário de electrificação, possivelmente ligado à expansão agrícola, mineração e à integração regional com a Namíbia.
Segundo estimativas recorrentes citadas em análises do Expansão e Valor Económico, melhorias no sector energético podem aumentar a produtividade industrial, reduzir custos operacionais, e gerar impacto positivo indirecto no crescimento económico (elasticidade energia–PIB).
Expectativa=Realidade?
Historicamente, projectos de energia no país tendem a enfrentar atrasos na implementação, sobrecustos e desafios na manutenção da rede.
Ou seja, a distância entre a expectativa e a realidade dependerá da capacidade de execução das metas traçadas.
Angola tem apostado fortemente na infraestrutura energética como motor de desenvolvimento nacional.
Com 334 milhões USD mobilizados, o projecto pode representar um avanço relevante para o Sul do país. Contudo, o impacto real não será medido pelo valor do financiamento, e sim pela electricidade que efectivamente chegará às casas e às empresas.










