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Angola Capta USD 2,5 Mil milhões em Eurobonds e executa recompra estratégica de dívida

Em uma operação que sinaliza robustez financeira e gestão tática da dívida pública, a República de Angola mobilizou com sucesso 2,5 mil milhões de dólares nos mercados de capitais internacionais. O anúncio foi feito nesta terça-feira, 24 de março, em Luanda, pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano.

A emissão realizada nos mercados de referência do Reino Unido e dos Estados Unidos da América destina-se a financiar o Orçamento Geral do Estado (OGE) para o exercício de 2026, conferindo maior previsibilidade à execução das contas públicas do próximo ano.

O apetite dos investidores internacionais pelo risco angolano superou as expectativas iniciais do Executivo. De acordo com o ministro, a operação registou uma procura total de 5,2 mil milhões de dólares, mais do que o dobro do montante final captado.

Segundo dados avançados pela agência Bloomberg, esta forte adesão permitiu a Angola fixar os custos de financiamento em cerca de 0,25 pontos percentuais abaixo das estimativas iniciais de rendimento (yields), um indicador claro de confiança do mercado na trajectória económica do país.

A emissão foi estruturada em dois títulos (tranches), um de USD 1,5 mil milhões com maturidade a sete anos e outro de USD 1,0 mil milhões com maturidade a 11 anos.

A grande novidade desta operação não reside apenas na captação de novo capital, mas na sua aplicação estratégica. Parte das receitas obtidas será utilizada para a recompra (buyback) de títulos de dívida soberana com vencimento próximo.

O alvo principal são os títulos emitidos anteriormente com um cupão (juro) de 8,25% e maturidade em 2028.

O objectivo do Ministério das Finanças é realizar uma gestão activa da dívida, trocando obrigações de curto prazo por novas com prazos mais alargados (7 e 11 anos). Esta movimentação suaviza o perfil de amortização de Angola, retirando pressão sobre a tesouraria nacional nos próximos dois anos.

Analistas de mercado e a agência Bloomberg coincidem ao apontar que o contexto geopolítico actual desempenhou um papel crucial no sucesso da operação. A escalada de tensão no Médio Oriente – envolvendo os EUA, Israel e o Irão – perturbou as cadeias de abastecimento de petróleo, elevando as cotações globais do Brent acima dos 90 dólares por barril.

Neste cenário de incerteza, os investidores procuram diversificar os seus portefólios para produtores fora do Médio Oriente e Angola, como o terceiro maior produtor de petróleo de África, beneficiou directamente desta dinâmica, tornando-se num destino atractivo para o capital internacional.

Apesar do sucesso, a operação ocorre num momento de custos de financiamento elevados para emissores de mercados emergentes. Analistas alertam que taxas de juro de emissão que se fixem acima dos nove por cento – embora comuns no contexto actual – reflectem condições de financiamento pouco apelativas se comparadas com anos anteriores.

Estas taxas são influenciadas não apenas pela classificação de risco (rating) do país e pela volatilidade do preço do petróleo, mas também pela manutenção de taxas de juro historicamente elevadas nas economias mais competitivas, como os Estados Unidos, o que encarece o custo do dinheiro globalmente.

Ainda assim, a procura expressiva registada na operação de Luanda reforça a tese de que os mercados confiam na capacidade de Angola em gerir a sua trajectória económica e honrar os seus compromissos, mesmo num ambiente global complexo.

A actual operação insere-se numa trajectória de financiamento externo que remonta a novembro de 2015, quando Angola se estreou nos mercados de dívida soberana internacional com a emissão “Palanca I”. Desde então, o país já acumulou mais de 14 mil milhões de dólares em emissões com a seguinte cronologia:

Em novembro de 2015, é lançado o “Palanca I” com USD 1,5 mil milhões (Taxa 9,5%, maturidade 10 anos) em consórcio com o Goldman Sachs, Deutsche Bank e ICBC.

Em maio de 2018, “Palanca II e III”, com o total de USD 3,5 mil milhões em títulos de 10 e 30 anos com cupões de 8,25% e 9,375%.

Em novembro de 2019, é lançado o “Palanca IV e V” com o total de USD 3,0 mil milhões com maturidades de 10 e 30 anos com cupões de 8% e 9,125%.

Abril de 2022 foi a época do lançamento do “Palanca VI” com um total de USD 1,75 mil milhões em cupões de 8,75%, maturidade 10 anos.

Seguiu-se dezembro de 2024 com um total de USD 1,2 mil milhões em cupões de 10,95%, maturidade 6 anos.

Em out 2025 com um total de USD 1,75 mil milhões em duas tranches (5 anos a 9,25% e 10 anos a 9,78%), com uma procura recorde de USD 6 mil milhões.

Agora em março de 2026 com um total de USD 2,5 mil milhões (7 e 11 anos) com recompra de dívida de 2028.

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