O Banco de Fomento Angola (BFA) anunciou na segunda-feira, 16 de março, a implementação de um novo mecanismo de garantia ao financiamento do comércio externo, em parceria com a International Finance Corporation (IFC), braço do sector privado do Grupo Banco Mundial que permitirá ao BFA emitir garantias capazes de reduzir o risco para bancos internacionais, facilitando operações de importação e exportação por parte de empresas nacionais.
A iniciativa é parte do Programa Global de Financiamento ao Comércio (GTFP) que objectiva mitigar os constrangimentos estruturais enfrentados pelas empresas angolanas nas transacções internacionais.
Na prática, trata-se de um instrumento de partilha de risco que melhora a confiança entre instituições financeiras e acelera pagamentos transfronteiriços.
De acordo com o banco, a iniciativa visa melhorar o acesso ao financiamento para comércio internacional, reduzir riscos de incumprimentos nas transacções externas, aumentar a rapidez e a previsibilidade dos pagamentos internacionais e reforçar cadeias de abastecimento críticas.
No actual contexto angolano altamente dependente de importações, especialmente no sector alimentar, boa parte dos bens consumidos é proveniente do exterior, segundo o World Bank.
Aqui, o acesso à moeda estrangeira torna-se indispensável para o funcionamento da economia.
Nos últimos anos, Angola tem enfrentado, escassez recorrente de divisas, redução das relações de correspondência bancária internacional, aumento dos custos das transacções externas e atrasos em pagamentos a fornecedores internacionais.
Esse ambiente cria um ciclo perverso onde empresas não conseguem importar insumos, a produção interna sofre, e o país continua dependente do exterior.
Mira nas PME
O foco do programa recai sobre as pequenas e médias empresas (PME), que representam mais de 90% do tecido empresarial africano, cerca de 80% do emprego no continente, segundo dados do Banco Mundial e da International Finance Corporation; além de ser, também, a parte mais afectada pelas falhas de financiamento e dificuldades para acessar mercados internacionais.
Com o apoio da IFC, o BFA ganha capacidade para expandir linhas de crédito ao comércio, apoiar empresas com menor histórico financeiro e até facilitar a integração em cadeias de valor regionais.
Espera-se que a implementação deste mecanismo gere efeitos relevantes a curto prazo com maior fluidez nas importações de bens essenciais, na redução de atrasos em pagamentos internacionais e no alívio sobre cadeias logísticas.
A médio e longo prazo, espera-se que os sectores dependentes de importação experimentem estabilidade, maior confiança de parceiros externos, expansão da capacidade exportadora, contribuição para a diversificação económica, redução da vulnerabilidade externa e integração mais sólida nos mercados regionais e globais.
Optimista?
Sim!
Contudo, embora o mecanismo represente um avanço importante, ele não resolve problemas estruturais da economia angolana, como a forte dependência do petróleo, a baixa capacidade produtiva interna ou a actual fragilidade institucional do sistema financeiro; apenas reduz fricções no sistema, uma vez que o crescimento sustentável exige reformas mais profundas, desde política cambial até ambiente de negócios.
A parceria entre o BFA e a IFC representa um passo relevante na melhoria do acesso ao financiamento do comércio externo em Angola, especialmente num contexto de restrições cambiais e limitações bancárias internacionais. Se bem executado, o instrumento poderá servir de reforço para a actividade empresarial, protecção a empregos, além de apoio a sectores estratégicos.









