A banca angolana está a intensificar a aposta em serviços digitais, numa estratégia virada à redução dos custos operacionais e adaptação ao crescimento das transacções electrónicas no país.
Nos últimos anos, instituições como o Banco Angolano de Investimentos (BAI), o Banco BIC e o Banco Millennium Atlântico reforçaram investimentos em aplicações móveis, atendimento remoto e sistemas automatizados de pagamento, acompanhando uma transformação que já redefine o sector bancário a nível global.
A digitalização tem sido impulsionada, sobretudo, pelo crescimento das operações realizadas através da rede Multicaixa e, em particular, da aplicação Multicaixa Express, gerida pela Empresa Interbancária de Serviços (EMIS).
Dados divulgados em 2025 pela EMIS mostram que os meios de pagamento digitais atingiram um novo marco no sistema financeiro angolano, onde as operações digitais movimentaram 22,7 biliões de kwanzas, representando 49,3% do total de transacções realizadas pela rede Multicaixa, representando um crescimento expressivo de 56,5% face ao ano de 2024, com cerca de 14,5 biliões de kwanzas.
No total, a rede Multicaixa movimentou aproximadamente 46 biliões de kwanzas em 2025, com mais de 3,4 mil milhões de transacções, um aumento de cerca de 31% no volume financeiro e quase 48% no número de operações face ao ano anterior, aproximando-se, pela primeira vez, de metade de toda a actividade financeira realizada através da infraestrutura interbancária do país.
Grande parte desse crescimento está concentrado na aplicação Multicaixa Express, segundo dados divulgados em 2025, a plataforma movimentou 19,7 biliões de kwanzas em cerca de 2,1 mil milhões de operações, tornando-se no principal canal de pagamentos electrónicos do país.
Actualmente, o serviço responde por cerca de 62% das operações realizadas na rede Multicaixa, sendo a ferramenta mais utilizada pelos clientes para transferências bancárias, pagamento de serviços, compras online e consultas de saldo.
O impacto sobre o sector financeiro.
Entre 2019 e 2023, o número de trabalhadores no sector bancário angolano caiu de 21.349 para 18.054, uma diferença de 3.295 empregos, a redução é associada à automatização de processos bancários, a uma maior utilização de plataformas digitais e à menor dependência de agências físicas, criando um cenário mais simplificado para o consumidor dos produtos bancários.
Outro elemento que impulsiona a digitalização da banca em Angola é a estrutura demográfica do país.
Estima-se que cerca de 65% da população angolana tenha menos de 25 anos, um grupo mais habituado ao uso de tecnologia e serviços digitais. Para os bancos, este cenário representa uma oportunidade para reduzir custos operacionais e expandir a sua base de clientes.
O actual contexto de digitalização do sector bancário representa uma oportunidade de crescimento para o sector, além de maior e mais fácil acesso aos serviços bancários à distância.









