Angola tem reforçado investimentos em energia solar como parte da sua estratégia de transformação estrutural da economia. A expansão desta fonte ocorre num momento em que o país procura reduzir custos energéticos, aumentar o acesso à electricidade e atrair novos fluxos de investimento estrangeiro para o país.
Em 2026, o sector das energias renováveis começa a assumir um papel crescente na política económica nacional, particularmente no quadro da transição energética global e das metas climáticas internacionais.
De acordo com dados da International Renewable Energy Agency, Angola possuía cerca de 362 MW de capacidade solar instalada em 2024, face a aproximadamente 310 MW em 2023, evidenciando, assim, uma expansão gradual da produção fotovoltaica.
Apesar deste crescimento, a energia solar representa ainda uma parcela reduzida da capacidade energética total do país, que continua dominada pela hidroelectricidade.
Estimativas do programa Angola Energia 2025 indicam que o território angolano possui um potencial solar superior a 17,3 gigawatts (GW) distribuídos por centenas de possíveis projectos de geração. Este potencial energético é particularmente relevante do ponto de vista económico, uma vez que o aumento da produção solar pode reduzir custos de geração eléctrica, diminuir a dependência de combustíveis fósseis importados para centrais térmicas e melhorar a competitividade de sectores industriais intensivos em energia.
A expansão da energia solar em Angola tem sido acompanhada por um aumento do investimento estrangeiro no sector energético.
Um dos exemplos mais relevantes é o complexo solar composto pelas centrais Biopio Solar Power Station e Baía Farta Solar Power Station, inauguradas em julho de 2022 na província de Benguela.
Juntos, representam cerca de 285 MW de capacidade solar instalada, constituindo o maior complexo fotovoltaico do país. Além de expandir a oferta de energia, projectos desta dimensão têm impacto macroeconómico relevante, incluindo criação de emprego, transferência de tecnologia e desenvolvimento de cadeias de fornecimento locais.
A política energética angolana procura também distribuir os projectos solares por diferentes províncias, reduzindo, assim, desigualdades no acesso à electricidade e estimulando o desenvolvimento regional.
Entre os projectos mais recentes, destacam-se o Caraculo Solar Power Station, na província do Namibe, com capacidade prevista de 50 MW, cuja primeira fase de 25 MW entrou em funcionamento em 2023, num projecto desenvolvido pela Eni em parceria com a Sonangol; o Luena Solar Power Station, na província do Moxico, com capacidade estimada de 26,9 MW, destinada a reforçar o fornecimento de energia na região leste do país; a Quilemba Solar Power Station, província da Huíla, com capacidade prevista de 35 MW e início de operação esperado para 2026.
A expansão destes projectos permite reduzir a dependência de geradores a diesel em zonas isoladas, cujo custo de produção energética é significativamente mais elevado. A disponibilidade de energia eléctrica constitui um dos principais factores de competitividade económica.
Em Angola, o acesso à electricidade continua a ser limitado em várias regiões do país, afectando o desenvolvimento industrial e a actividade empresarial.
Dados recentes indicam que menos da metade da população angolana tem acesso regular à electricidade, o que representa um obstáculo relevante ao crescimento económico.
Maior disponibilidade de energia favorece o desenvolvimento de sectores como agro-indústria, comércio e pequenas indústrias, projectos solares instalados em regiões fora dos grandes centros urbanos contribuem para dinamizar economias locais e melhorar as condições de vida das populações.
Embora o petróleo continue a dominar a economia angolana, a expansão das energias renováveis representa um passo importante na construção de um sistema energético mais diversificado e sustentável.
Os planos energéticos nacionais apontam para um aumento significativo da capacidade de geração eléctrica na próxima década. A estratégia prevê elevar a produção total de electricidade do país para cerca de 9,9 GW, com uma parcela crescente proveniente de fontes renováveis.
Neste cenário, a energia solar deverá assumir um papel cada vez mais relevante na matriz energética angolana, contribuindo para melhorar a segurança energética, reduzir custos de produção e apoiar o crescimento económico.











