Subscribe For More!

Get the latest creative news from us about politics, business, sport and travel

You have been successfully Subscribed! Ops! Something went wrong, please try again.
Edit Template

Revogação da Global Seguros: Que lições para o Mercado Segurador Angolano?

Na sexta-feira, dia 20, a Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG)
anunciou a revogação da autorização para o exercício da actividade seguradora da Global
Seguros.
A decisão representa o encerramento formal da actividade de uma operadora que
integrou o mercado segurador angolano por vários anos, num período que atravessou a
expansão económica, ajustamento macroeconómico e o reforço progressivo da
supervisão prudencial, com predominância na actuação no segmento não-vida.
Não se trata apenas de um acto administrativo. É um sinal estrutural.


Com a desaceleração económica, volatilidade cambial e pressão inflacionária, o sector
segurador passou a enfrentar desafios mais exigentes que envolviam o reforço dos
requisitos de capital mínimo, maior rigor no cumprimento dos rácios de solvência, uma
supervisão mais activa e técnica por parte da ARSEG e a nececessidade de provisões
técnicas mais robustas. Num ambiente assim, a sustentabilidade depende da solidez
financeira e da governação prudencial. Aqui, empresas menos capitalizadas tornam-se
estruturalmente vulneráveis.


Por que se revoga a autorização de uma seguradora?


Normalmente, uma revogação ocorre quando a empresa não cumpre requisitos mínimos
de capital, viola de forma reiterada normas prudenciais, apresenta insuficiência de
solvência, não consegue cobrir provisões técnicas ou demonstra incapacidade estrutural
de continuar a operar.


Contudo, a revogação raramente é a primeira medida. Normalmente, há uma sequência
que começa com notificações e exigência de regularização, seguidas de um prazo para
reforço de capital, depois de um plano de recuperação, uma eventual suspensão e SÓ
DEPOIS, a revogação. Ou seja, é o último passo quando as tentativas de correcção falham.


Mas, o que significa a revogação?


A revogação de autorização é a medida máxima antes da liquidação formal.
Normalmente, implica a cessação imediata da actividade seguradora realizada pela
instituição em causa, a proibição de emissão de novas apólices, a impossibilidade de
renovação contratual e a entrada em regime de acompanhamento administrativo
especial.


Não é suspensão temporária. É encerramento da actividade operacional.
Com a revogação, os clientes da Global passam a depender da estrutura patrimonial
remanescente da empresa, ou seja, quando uma seguradora perde a licença, deixa de gerar
novas receitas. Nesse caso, não entra mais prémio, restando apenas os activos já existentes, as
reservas constituídas, os investimentos já realizados e eventuais créditos a receber.
Em situações como esta, os clientes passam a depender exclusivamente desse estoque
financeiro.


Podendo o regulador, em alguns casos, autorizar a transferência da carteira de contratos
para outra seguradora e, para este contexto, esse é o melhor cenário possível por garantir
a continuidade das apólices, reduzir a incerteza para os clientes e, claro, preservar a
confiança no sistema.


Mas para isso acontecer, a carteira precisa ser tecnicamente viável, a nova seguradora
precisa de aceitar o risco (este recurso não é imposto) e os activos PRECISAM
acompanhar as responsabilidades.


Seria um caso isolado ou um movimento de consolidação?
Mercados emergentes costumam atravessar três fases:

  1. A fase de expansão acelerada do número de operadores;
  2. A fase do choque macroeconómico e ajustamento estrutural,
  3. A fase da consolidação institucional e reforço prudencial.

A saída da Global pode ser interpretada como parte dessa terceira fase.
Para o mercado, o capital adequado é condição de permanência, a governação sólida
deixou de ser opcional, e a sustentabilidade financeira é requisito estrutural.
O sistema segurador angolano está a transitar de uma fase de expansão permissiva para
um estágio de maior maturidade institucional e a baixa penetração de seguros no país,
significa que o sector ainda tem espaço para crescer, ainda mais tendo em conta o actual
ambiente pró diversificação da Economia nacional.


Aqui, a revogação da autorização da Global Seguros não é apenas o fim de uma
operadora. É um episódio que testa a capacidade do sistema de autoajustar-se.
Assim, a decisão da ARSEG marca um ponto de inflexão e a questão agora não é apenas
o que aconteceu à Global, e sim, o que este episódio revela sobre a trajectória do
mercado segurador angolano.


E é essa a análise que realmente importa.


Em comunicado oficial tornado público no dia 23, a Agência Angolana de Regulação e
Supervisão de Seguros (ARSEG), informa que: “Na sequência da revogação da autorização
para o exercício da actividade seguradora da Global Seguros S. A, pelo Despacho n.º
028/ARSEG/26, de 20 de Fevereiro, procedeu a nomeação da Comissão Liquidatária para
condução do processos de dissolução e liquidação da referida sociedade”, constituída por
Henda Mondlane Ferreira da Silva como Coordenador e José André Lopes e Mário Xicato
como membros.


A Agência informa ainda que a Global Seguros S.A., deve entregar imediatamente à
Comissão Liquidatária constituída os seguintes documentos:
a) “Relação provisória de credores, por ordem alfabética, com indicação dos
montantes, data de vencimento, natureza e garantias de que beneficiem;

b) Relação e identificação das acções e execuções pendentes em que seja parte;
c) Indicação das actividades a que se tenha dedicado nos últimos três (3) anos;
d) Documentos de prestação de contas relativos aos últimos três (3) anos, incluindo,
sendo caso disso, contas consolidadas referentes ao mesmo período;
e) Lista de pesseoas que tenha ao seu serviço.”

A decisão da ARSEG reforça o papel da supervisão prudencial na preservação da
estabilidade do mercado segurador angolano. Embora a revogação da licença da Global
Seguros represente um episódio de fragilidade institucional, também sinaliza um
fortalecimento do quadro regulatório e da protecção dos segurados.

Posts relacionados

Outros

  • All Post
  • Negócios
  • Política
  • Finanças

Subscreva para mais!

Acompanhe as nossas últimas notícias criativas sobre política, negócios, finanças e energia.

Subscrição concluída com sucesso! Ops! Ocorreu um erro. Tente novamente.

© Adventure Brands Rise Value