O Governo angolano e a União Europeia assinaram, na terça-feira, 24 de março, em Luanda, um acordo de financiamento no valor de 50 milhões de euros, destinado ao projecto AGRINVEST, voltado ao reforço das cadeias de valor agroalimentares no país.
O acordo foi rubricado pelo ministro do Planeamento, Victor Hugo Guilherme, em representação do Executivo, e pela embaixadora da União Europeia em Angola, Rosário Bento Pais, no quadro da cooperação bilateral para o desenvolvimento sustentável.
A iniciativa insere-se na estratégia de apoio à diversificação da economia nacional, com foco na promoção da produção agrícola, melhoria da competitividade e fortalecimento das infra-estruturas logísticas no Corredor do Lobito, dentro do Plano de Desenvolvimento Nacional (2023–2027), particularmente nos domínios da segurança alimentar, diversificação económica e desenvolvimento do capital humano.
O projecto AGRINVEST visa, essencialmente, a capacitação de organizações de produtores, melhoramento do acesso ao financiamento e promoção da integração dos agricultores em cadeias de valor mais estruturadas.
A iniciativa contempla acções de formação técnica e de gestão, com o objectivo de aumentar a produtividade e a eficiência no sector agrícola. “O projecto prevê a facilitação do acesso ao financiamento e o reforço das capacidades técnicas dos produtores”, refere uma nota institucional citada pela imprensa nacional.
A abordagem inclui ainda o incentivo à criação de parcerias entre produtores e empresas âncora, visando garantir maior estabilidade na produção e comercialização, o que, posteriormente, auxiliará na redução das perdas pós-colheita, consideradas um dos principais constrangimentos do sector agrícola angolano, além de melhorar o escoamento da produção para os mercados internos e externos.
O projecto será implementado ao longo do Corredor do Lobito, abrangendo as províncias de Benguela, Huambo, Bié, Moxico e Moxico Leste, regiões com elevado potencial agrícola e importância estratégica no contexto logístico nacional.
A escolha destas zonas está alinhada à necessidade de potenciar o corredor como eixo de integração económica regional, facilitando o acesso aos mercados da África Austral e Central.
Com uma duração estimada de seis anos, o AGRINVEST será executado em coordenação com vários departamentos ministeriais, incluindo os sectores da Agricultura, Indústria e Comércio e Transportes, bem como com o apoio de agências de cooperação de Estados-membros da União Europeia.
A aposta no sector agrícola surge, neste contexto, como um dos pilares fundamentais para a promoção do crescimento inclusivo e da criação de emprego nas zonas rurais.
É importante citar que, como em outras abordagens, o impacto do projecto dependerá, maioritariamente, da eficácia na implementação e da articulação entre os diferentes elementos envolvidos.
A concretização dos objectivos definidos poderá contribuir para o aumento da produção nacional, melhoria das condições de vida das populações rurais e reforço da inserção de Angola nas cadeias regionais de valor.










