Esta tendência, confirmada pelos dados mais recentes do Banco Central da Nigéria (CBN), levanta preocupações sobre o apoio à “economia real” e o processo de diversificação industrial do país mais populoso de África.

De acordo com o relatório mensal de economia do CBN para novembro de 2025, o crédito total à economia expandiu-se apenas 0,14%, passando de N56,94 biliões em outubro para N57,02 biliões.

Todo este crescimento foi impulsionado exclusivamente pelo sector de serviços, que registou um aumento de 1,35%. Em contraste, o crédito ao sector industrial contraiu 1,60% no mesmo mês e o crédito à agricultura permaneceu estagnado. Nesta senda, a distribuição sectorial do crédito total ilustra bem a situação de desequilíbrio, com 56,53% dedicados aos serviços, 37,80% dedicados à indústria e apenas 5,67% dedicados à agricultura.

Esta configuração reforça uma preferência histórica dos bancos por sectores com ciclos de negócio mais curtos, menor risco percebido e retornos mais rápidos, como comércio, telecomunicações, retalho e serviços financeiros.

O crédito ao sector privado, que inclui empréstimos a empresas e famílias, tem mostrado volatilidade. Em fevereiro de 2026, subiu ligeiramente para N75,62 biliões, face aos N75,24 biliões de janeiro, registando um aumento de 0,51%. No entanto, em termos anuais, o valor ainda se encontra abaixo dos N76,26 biliões registados em fevereiro de 2025, reflectindo um ambiente de cautela por parte dos bancos. Analistas do Centre for the Promotion of Private Enterprise (CPPE) destacam que, apesar da recapitalização, o crédito às Pequenas e Médias Empresas (PMEs) representa apenas cerca de 1% do total (contra uma média de 5% na África Subsaariana), enquanto os serviços absorvem cerca de 56%.

A manufactura fica com aproximadamente 14% e a agricultura com 5%. Em termos de impacto, esta alocação enviesada limita a expansão da capacidade produtiva, a modernização tecnológica e a criação de empregos qualificados no sector industrial — fundamental para reduzir a dependência do petróleo e gerar exportações diversificadas. Embora o sector de serviços tenha sido resiliente e continue a impulsionar o crescimento não-petrolífero, o fraco financiamento à indústria e agricultura ainda compromete a segurança alimentar, o desenvolvimento de cadeias de valor e o potencial multiplicador no PIB.

Dentre as medidas implementadas para resolução da actual situação, o governo e o CBN têm implementado medidas como a National Credit Guarantee Company (NCGC), os fundos de intervenção através do Bank of Industry (BOI) e a recapitalização bancária.

No entanto, a infraestrutura deficiente, burocracia excessiva, elevado custo de financiamento e crowding-out causado pelo forte endividamento público ainda persistem como dificuldades estruturais.

Assim, é seguro afirmar que o crédito na Nigéria está a crescer nominalmente, mas de forma desequilibrada. Enquanto o sector de serviços impulsiona a expansão do financiamento bancário, a contração ou estagnação na indústria sinaliza que a “economia real” continua subfinanciada. Para transformar o sucesso da recapitalização bancária em desenvolvimento sustentável, será essencial melhorar o ambiente de negócios, reduzir os custos de financiamento para sectores produtivos e garantir que o capital recém-injetado chegue efetivamente à manufactura, agricultura e PMEs.

Sem esta reorientação, a Nigéria arrisca-se a manter uma economia forte em serviços comerciais, mas fraca em produção diversificada e resiliente.